A carta chega pelo correio ou o aviso aparece no e-mail cadastrado no Conselho: existe uma denúncia envolvendo a sua publicidade. Pode ser um anúncio, um vídeo antigo, uma foto no perfil da clínica ou uma frase na página de um procedimento. A primeira reação costuma ser susto, a segunda é a vontade de apagar tudo de uma vez. Nenhuma das duas ajuda. Uma notificação do CRM sobre divulgação é um procedimento com etapas conhecidas, e quem age com método atravessa esse momento com muito menos desgaste.

Entenda o que você recebeu

Antes de qualquer decisão, leia o documento inteiro com atenção. Na maioria dos casos, a denúncia sobre publicidade começa como uma apuração preliminar, chamada de sindicância, em que o Conselho verifica se existem indícios suficientes para abrir um processo ético profissional. Receber a notificação não significa condenação nem culpa reconhecida. Significa que alguém apontou um possível descumprimento e que você terá oportunidade de se manifestar.

Anote três informações logo de início: qual conteúdo está sendo questionado, qual é o prazo para resposta e qual artigo da norma foi citado. Esses três pontos orientam tudo o que vem depois. Para dentistas, o raciocínio é parecido, com o Código de Ética Odontológica e as regras do CRO no lugar da resolução do CFM.

Não apague tudo no impulso

É comum o profissional, assustado, excluir o perfil inteiro, tirar o site do ar ou desativar todos os anúncios na mesma noite. Esse movimento quase nunca resolve. O conteúdo denunciado provavelmente já foi registrado em print pelo denunciante, e a exclusão às pressas pode parecer tentativa de esconder algo. Além disso, você perde canais que estavam regulares e que continuam trazendo pacientes.

O caminho mais seguro é outro: salvar uma cópia do conteúdo questionado, com data e link, e só então decidir, com orientação, se ele será ajustado, arquivado ou mantido. Ter o registro do que estava publicado é importante para a sua própria defesa.

Procure orientação jurídica especializada

Este é um procedimento ético e administrativo, e a resposta tem peso. Um advogado com experiência em direito médico conhece o rito do Conselho, sabe como estruturar a manifestação e evita que uma resposta escrita no calor do momento piore a situação. A agência de marketing pode e deve ajudar a levantar o histórico dos canais, mas a defesa é papel do advogado.

Leve para essa conversa tudo o que puder ajudar: quem produziu o conteúdo, quando foi publicado, se era anúncio pago ou publicação orgânica, se havia aprovação sua antes de ir ao ar. Responsabilidade sobre a publicidade é do médico, mesmo quando quem criou foi a equipe ou um terceiro, por isso conhecer o próprio processo de aprovação faz diferença.

Faça uma varredura em todos os canais

A denúncia aponta um conteúdo, mas raramente ele está sozinho. Se um post saiu fora da norma, outros parecidos podem estar espalhados pelo perfil, pelo site e pelos anúncios antigos. Aproveite o momento para revisar tudo com calma:

Os pontos que mais aparecem em denúncias são conhecidos: imagens de antes e depois fora das condições da norma, divulgação de preço como chamariz, promessa de resultado, depoimento de paciente usado como garantia, especialidade divulgada sem RQE e linguagem sensacionalista. Se algum deles aparecer na varredura, ajuste com orientação do advogado e registre o que foi alterado.

Cuide da comunicação com equipe e pacientes

Um procedimento no Conselho é sigiloso na fase de apuração, e assim deve permanecer. Não comente o caso nas redes, não publique desabafo e não responda a quem você acredita ter feito a denúncia. Exposição pública só aumenta o problema e pode gerar novas questões éticas.

Com a equipe, a conversa é prática: quem publica conteúdo precisa saber que, a partir de agora, nada vai ao ar sem a sua aprovação. A secretária deve seguir respondendo pacientes normalmente pelo WhatsApp, sem citar o assunto. Para o paciente, o consultório continua funcionando como sempre.

Como continuar divulgando sem medo

Uma notificação não precisa transformar o médico em alguém invisível na internet. A Resolução CFM 2.336/2023 permite e até valoriza a divulgação educativa: explicar condições, orientar sobre prevenção, mostrar a estrutura do consultório, apresentar a sua formação e a sua especialidade com o registro correto. O que muda depois da denúncia é o processo, não a presença.

Algumas práticas ajudam a manter a divulgação segura daqui em diante:

O aprendizado que fica

Muitos médicos saem desse episódio com uma comunicação mais clara e mais profissional do que tinham antes. A denúncia expõe falhas de processo que estavam escondidas: conteúdo publicado sem revisão, agência que não conhecia a norma, material antigo esquecido no perfil. Corrigir esses pontos protege a sua reputação e, de quebra, melhora a qualidade do que o paciente encontra quando pesquisa o seu nome.

Na Doutor Multimídia, com 20 anos no mercado digital, estruturamos o ecossistema completo de médicos e dentistas: site, perfil do Google, conteúdo, tráfego pago e WhatsApp. Toda peça nasce dentro das regras do CFM e do CRO, com aprovação do profissional antes de ir ao ar, para que a divulgação traga pacientes sem colocar o seu registro em risco.