É um padrão muito comum. O médico ou dentista tem um site bonito, com foto profissional, currículo e uma página chamada Serviços ou Especialidades. Nela, numa lista de tópicos, aparecem dez, quinze, vinte procedimentos. O site existe há anos, mas quase ninguém chega a ele pelo Google. O motivo raramente é o design. Quase sempre é a estrutura.
Como o paciente realmente procura
O paciente não busca pela especialidade da forma como ela aparece no diploma. Ele busca pelo problema ou pelo procedimento que já ouviu falar. Digita tratamento para hérnia de disco, cirurgia de catarata como funciona, clareamento dental dói, exame de apneia do sono perto de mim. Cada uma dessas buscas é uma pergunta diferente, feita por uma pessoa em um momento diferente.
O Google, por sua vez, tenta entregar a página que melhor responde àquela pergunta específica. Entre uma página inteira dedicada à cirurgia de catarata e uma linha escrita cirurgia de catarata no meio de uma lista, a escolha é óbvia. A lista não perde por ser ruim. Perde porque não responde nada.
O problema da página de serviços única
Quando todos os procedimentos ficam numa página só, três coisas acontecem ao mesmo tempo:
- O Google não sabe qual é o assunto da página. Ela fala de vinte temas, então não é a melhor resposta para nenhum deles.
- O paciente não encontra o que veio buscar. Mesmo quando chega ao site, precisa garimpar o procedimento numa lista sem explicação, e desiste.
- Você não consegue medir nada. Sem páginas separadas, é impossível saber qual procedimento atrai mais interesse e onde vale investir em conteúdo ou anúncio.
Isso explica por que tantos sites médicos só aparecem quando alguém digita o nome do profissional. Para quem já conhece você, o site funciona. Para quem ainda não conhece, ele é invisível.
Como planejar as páginas
Não é preciso criar cinquenta páginas de uma vez. O planejamento começa com uma pergunta simples: quais procedimentos ou condições eu mais quero atender nos próximos anos? Essa lista costuma ter de cinco a dez itens, e é por ela que se começa.
Algumas orientações para montar a lista:
- Priorize o que é coerente com o seu foco. Se você quer ser reconhecido como referência em uma área, as páginas dela vêm primeiro.
- Use a palavra que o paciente usa. Às vezes a página precisa se chamar dor no joelho ao subir escada, e não síndrome patelofemoral. O termo técnico entra no texto, explicado.
- Separe condição de procedimento quando fizer sentido. Uma página sobre apneia do sono e outra sobre o exame de polissonografia respondem a buscas diferentes e se complementam.
- Evite páginas quase iguais. Duas páginas que dizem a mesma coisa com palavras trocadas competem entre si e confundem o Google.
O que cada página precisa ter
Uma página de procedimento não é um anúncio. É um texto informativo que ajuda o paciente a entender a situação dele e a decidir se faz sentido marcar uma consulta. Uma estrutura que funciona bem:
1. Título claro. O nome do procedimento ou da condição, do jeito que o paciente procura, com a cidade quando o atendimento é presencial.
2. Para quem é indicado. Quais sinais, sintomas ou situações costumam levar a esse procedimento, sempre lembrando que a indicação depende de avaliação individual.
3. Como funciona. Etapas, preparo, duração aproximada, tipo de anestesia quando houver e como costuma ser a recuperação, em linguagem simples.
4. Perguntas frequentes. As dúvidas que a sua secretária escuta toda semana são o melhor roteiro. Dói? Precisa de acompanhante? Quanto tempo fico afastado? O convênio cobre?
5. Quem realiza. Seu nome, registro no conselho, RQE quando aplicável e a sua formação naquela área. Isso dá confiança ao paciente e contexto ao Google.
6. Um caminho para agendar. Botão de WhatsApp ou agendamento visível, sem pressão, sem contagem regressiva, sem oferta.
Os limites do CFM e do CRO nessas páginas
A Resolução CFM 2.336/2023 e as normas do CRO permitem que o profissional explique procedimentos e condições com finalidade educativa. O que muda é o tom. Algumas linhas que não devem ser cruzadas:
- Nada de garantia de resultado, como recuperação total ou sem dor nenhuma.
- Nada de fotos de antes e depois para promover o procedimento.
- Nada de preço como chamariz, condição especial ou desconto por tempo limitado.
- Nada de depoimento de paciente usado como prova de eficácia.
- Informar riscos e limites do procedimento, além dos benefícios, reforça a credibilidade em vez de afastar o paciente.
Uma página honesta, que explica com clareza e deixa a decisão para a consulta, costuma converter melhor do que um texto cheio de promessas. O paciente de saúde desconfia de exagero.
Ligando as páginas entre si
Páginas soltas funcionam, mas páginas conectadas funcionam melhor. A página inicial deve levar às principais páginas de procedimento. Cada página de procedimento pode citar condições relacionadas e apontar para elas. Os artigos do blog, quando falam de um tema, devem levar o leitor à página do procedimento correspondente. Essa teia de links internos mostra ao Google quais são as páginas mais importantes do site e ajuda o paciente a continuar lendo.
Também vale conferir o básico técnico: cada página com seu próprio título e descrição, endereço curto e legível, carregamento rápido no celular e marcação de dados estruturados que identifique o profissional e o local de atendimento.
Quanto tempo leva para dar resultado
Páginas novas não aparecem no Google no dia seguinte. Em geral, os primeiros sinais surgem entre algumas semanas e poucos meses, dependendo da concorrência da sua especialidade e da sua cidade. O ganho é acumulativo: cada página bem feita continua trabalhando por anos, sem custo por clique. Enquanto isso, uma campanha de busca com verba controlada pode levar pacientes justamente para essas páginas novas, que também melhoram o desempenho do anúncio.
A Doutor Multimídia, com 20 anos no mercado digital, estrutura sites de médicos e dentistas a partir dos procedimentos que cada profissional quer atender, sempre dentro das regras do CFM e do CRO. Um site que lista tudo não mostra nada. Um site com uma página para cada procedimento responde ao paciente no momento exato em que ele pergunta.